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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Há tanta vida lá fora


Dizem que, para sermos completos na vida, temos que escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore. Juro que pra mim restou fazer o mais fácil: plantar uma árvore. Afinal, o Bruno logo estará por aí, atrapalhando o meu sono (e o dos vizinhos) e minha tese, posso dizer, é praticamente um livro. Passei no vestibular, fiz mestrado, tive bolsa de pesquisa, arrumei emprego, comprei meu carro, casei... tudo o que se espera de uma mulher contemporânea (e tudo que, muitas vezes, me pego (des) orientando os pobres adolescentes com os quais convivo diariamente)! Mas até onde essas escolhas foram feitas por mim, pelo meu livre arbítrio, de forma super consciente? E até onde foram determinadas, seja lá por quem for? Um problema filosófico, daqueles que eu coloco para meus alunos e que nem eu mesma, confesso, consigo resolver.
Há tanta vida lá fora... livros que quero ler e não consigo, filmes que quero saborear e não tenho tempo, caminhadas despretensiosas pelo bairro, para observar pequenas coisas que não podem ser percebidas quando passamos soltando fumaça pelo carro. Se a gente não nasce, e sim começa a morrer, viver da forma como vivemos é, na verdade, uma imensa burrice.

Mais uma crise existencial...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Síndrome da folha em branco

Sempre gostei de escrever. Quando eu era criança, fazia redações muito engraçadas e que encantavam as professoras (a mamãe também). Acho que as pessoas devem sempre saber se comunicar, e umas das formas mais belas é através da escrita. É algo que fica ali, para sempre. Tão belo que, quando um livro que amo acaba, me sinto só. A letra de uma música também. Os compositores soltam aquelas frases que marcam ou que acabamos nos identificando. Tem uma música da Adriana Calcanhoto que está no CD do meu carro que ouço sempre. Ela diz 'eu ando pelo mundo. E meus amigos, cadê? Minha alegria, meu cansaço'. Não sei o porquê, mas adoro esse trecho. Da mesma forma que quase choro (sim, é verdade), quando escuto a música Epitáfio, dos Titãs. Me dá aquela sensação do tipo 'poxa, preciso parar de esquentar a cabeça, de refletir tanto sobre o mundo e ser um passarinho da Mata Atlântica', como diria minha amada amiga Maria. Também adoro escrever coisas sérias, mas ultimamente estou sem inspiração e tempo para isso, como no caso da minha tese. Bom, deu pra perceber que estou sem a mínima inspiração para escrever. Falei muito, e nada ao mesmo tempo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sem título

A cada dia que passa, tenho a percepção de que caminhamos para o isolamento, para uma sociedade centrada no eu. Dia após dia, produtos são disponibilizados para pessoas que vivem sozinhas: a indústria de congelados é um sintoma desta solidão inerente à sociedade moderna. Tem coisa mais solitária que não dividir a mesa com alguém?

Aliás, pouco se divide em nossos tempos: raramente alguém divide o seu tempo com outra pessoa. Todos têm pressa. Ou falta de tempo, mesmo que esse seja uma questão de preferência (como já disse Antoine de Saint-Exupéry). Vez ou outra encontramos um ouvinte, uma pessoa para quem possamos falar todas aquelas bobagens que são tão peculiares a nós. Geralmente as pessoas não estão 'toda ouvidos', basta que olhemos para elas: estão sempre com um fone de ouvido, para evitar qualquer tipo de contato. Apropriando-me de Adriana Calcanhoto, estão sempre com "uma segunda pele, uma casca, uma cápsula protetora".

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Super gêmeos, ativar


A TV, como todos sabemos, passa uma visão muito deturpada da realidade. Óbvio é que, se for para ver a realidade, abro o portão de casa. Mas a TV faz com que acreditemos, ou sonhemos, com coisas que serão praticamente impossíveis de realizá-las. Um caso que me é emblemático é a amizade. Já notaram como a amizade é retratada?
Lembro de um desenho que passava na Xuxa (sim, eu gostava dela) que chamava-se 'A turma da pesada'. Nesse desenho havia uma turma de amigos super legais, super descolados, super ricos, super tudo. Eu queria amigos como aqueles. Não aconteceu. Meus amigos da escola não eram os mais 'populares'. Assim como eu também não era. Mais tarde, na adolescência, assisti aquela série Barrados no Baile. Daí eu pensava que teria um grupo de amigos como aquele. Três casais super amigos. E depois, a divertidíssima Friends. Sim, era divertida, mas também passava aquela imagem de 'amigos super legais - que vivem em pares - que vivem super juntos em NY - que quase nunca brigam - e que são, em sua maioria, super normais'.
Voltando à realidade, essa nos mostra ser outra coisa. Pois bem. Nossos amigos não são super legais, pelo menos não na maior parte do tempo. Nossos amigos são esquisitos: não sorriem o tempo todo, não falam o tempo todo, como gostaríamos que fossem (ou como acreditamos que devessem ser?). Nossos amigos são super amigos, e só. Meio parecido com aquele desenho (que não me lembro o nome), onde um irmão completava o outro, ao gritarem 'super gêmeos, ativar....'. E, a partir da forma que assumiam, se ajudavam e venciam o mal. Eu acho isso legal!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma frase bacana

Uma vez li uma frase que achei muito bacana. Era algo do tipo 'cada um que passa em nossas vidas nao vai só, leva um pouco da gente, deixa um pouco para nós'. Não está na íntegra, e nem mesmo sei ao certo a autoria (a internet, esse mar de informações, terra de ninguém, acusa duas autorias para essa frase - Antoine Saint Exupery e Charles Chaplin...rs). Bem, mas não é sobre a internet q quero escrever. Mas sobre a essência dessa idéia. A idéia de que deixamos nossas marcas na vida de alguém, e esses alguéns na nossa, me lembrou um fato que me marcou muito. Saio toda semana para fazer minha pesquisa de campo. Entro muda, saio calada. Tudo pela suposta 'neutralidade' da pesquisa. Mas um dia, eu entrei e sentei no fundo da sala, buscando não atrapalhar o andamento da aula. Uma menininha, não sei o nome, se levanta e me dá de presente um brinco. Nunca conversei diretamente com essa garotinha. Disse a ela que desse o presente à professora. Ela respondeu que já havia dado, que esse era o meu. Fiquei sabendo que essa garotinha perdeu a mãe, e que o pai está preso. Isso me comoveu bastante e me fez perguntar o que eu teria feito a essa menina. Um olhar de aprovação, um sorriso. Talvez tenha sido isso...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sobre hábitos alimentares

"Tábata e Samanta estão clamando por um cachorro quente...sem salsicha". Tábata e Samanta são os parasitas que habitam meu estômago. Elas possuem hábitos alimentares bem parecidos ao meu. E meu cachorro quente preferido é sem salsicha. Isso causa espanto a você? A ausência da salsicha não me causa nenhum estranhamento e nem altera o sabor do meu hot dog. Claro q isso gera uma certa confusão na cabeça do carinha que monta meu lanche: "duas salsichas?", eu respondo "nenhuma, capricha no purê" (afinal, o preço é o mesmo). Mas a pergunta que não deve estar calando aí, n sua cabecinha é: mas pq vc não come a salsicha? Oras, comer algo q vc não sabe de onde vem é bastante complicado. Como a coxa do frango, pq sei q é a coxa (o frango inteiro na mesa não me faz bem, afinal, vejo ele ali, todo montadinho, me olhando, me chamando de 'chicken killer'). Agora, parte de que bicho, ou de que jornal, ou de que caixa de papelão eu estou comendo qdo me alimento de salsichas? E nuggets então?
Certas coisas não devem ser ingeridas. Nem misturadas. Se vc tem o hábito de pegar marmita, verá que não possuem nenhum critério para dispor os alimentos na bandeja. Arroz, macarrão, peixe frito, feijão. Esses alimentos não devem ser postos lado a lado nunca. Simplesmente não combinam, têm temperamentos diferentes. Não que necessariamente tenhamos que separar todos os alimentos (separar o macarrão dos legumes na sopa ou a salada do hamburguer, como uma vez me disseram), mas fazer do meu prato uma massa de cimento a ser colocada guela abaixo é mais aprazivel às pessoas que têm alma de pedreiro, como certa pessoinha a quem dedico este texto...rs.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Datas comemorativas

Odeio datas comemorativas. Sim, sou mal-humorada. Mas tenho uma boa justificativa. Gasta-se muito dinheiro e neurônios com essas invenções comerciais. Vejam, não sou pão dura (apesar desta ser minha fama). Mas tem coisa mais chata que ter que comprar presente? Dia das Mães é um sacrifício. Não que não goste da minha mãe, longe disso, mas ter que pensar no que vou comprar, e ainda pensar no que dei ano passado (afinal, repetir o presente não é legal) é muito chato. E Dia dos Namorados? Restaurantes lotados. Comida de péssima qualidade (uma vez tive um treco quando um restaurante serviu peixe com nhoque, uma heresia digestiva), populaçao atordoada pensando no que vai comprar, carregando flores pela rua, ursinhos de pelúcia e balões em forma de coração. Mesmo se não estiver a fim de olhar para a cara do dito cujo (ou da dita cuja) é Dia dos Namorados, é dia de amar e ter que ser feliz! Não gosto disso. No último sábado, fui ao show do cantor Nando Reis. Ele disse algo interessante: festa junina é uma data comemorativa onde não precisamos dar presentes. Por isso ele gosta de festas de São João. E eu também.